sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Poética - Manuel Bandeira

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O Amor - Fernando Pessoa/ Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moares

Faz algum tempo que ando pensando no que é o "amor", de que tanto as pessoas falam. Nao duvido que exista, mas é realmente um sentimento complexo demais para ser descrito. Eu admito que tentei e falhei, mas nada do que eu tenha que sentir vergonha, vários poetas tentam isso há anos e, ainda sim, nao conseguiram. Abaixo estão dois poetas que, para mim, descrevem bem o que eu imagino que seja o Amor:
O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar... - Fernando Pessoa
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. - Vinicius de Moraes


Estou feliz de dizer que encontrei alguém para mim, que me faz ter uma visão mais clara e um pouco mais precisa desse sentimento. Nao sou a pessoas mais menininha, nem delicada do mundo, mas esforço-me ao máximo para ser a melhor. (Creio que isso seja um dos efeitos de se gostar tanto de alguém).


E esse foi o modo de mostrar e agradecer à quem esta comigo por todos os momentos e, principalmente, por te me mostrado como tudo pode ser maravilhoso! <3

- Homenagem aos seis meses com meu amor - 

domingo, 27 de julho de 2014

Instrumentos Mortais: Cidade de Ossos - Cassandra Clare

Olá, pessoas! Cá estou eu novamente, com mais uma resenha para vocês. Demorei um tempo porque está difícil de encontrar títulos e tempo para eu ler. Bem, sem mais enrolações, eis a resenha:

Clary Fray, 15 anos, decide passar a noite em uma boate muito conhecida em Nova York, e o maior de seus problemas provavelmente seria lidar com o ignorante segurança da porta, certo? Errado. Clary testemunha um crime, e não um crime qualquer: Um assassinato à sangue frio cometido por três adolescentes cobertos por enigmáticas tatuagens, brandindo armas esquisitas. Para completar, o corpo da vítima desaparece no ar.
Clary quer ligar para a polícia; quer gritar; quer chamar seu amigo, Simon, que ficou na boate enquanto ela teve a infeliz ideia de perseguir o menino bonitinho de cabelo azul... Mas como explicar a eles que ninguém mais na rua enxerga os assassinos, apenas ela? Como provar que houve um crime se não há rastro algum do sangue do garoto morto — aliás, era mesmo um menino?
Mas ela nem tem tempo de tomar uma decisão; logo os assassinos se apresentam para a estranha mundana que não deveria vê-los, mas vê. Jace, Alec e Isabelle são Caçadores de Sombras, guerreiros cuja missão é proteger o mundo que conhecemos de demônios e outras criaturas sobrenaturais. Vampiros que saem da linha, lobisomens descontrolados, monstros cheios de veneno? É por aí mesmo. E depois desse primeiro contato com o Mundo de Sombras, e com Jace — um Caçador que tem a aparência de um anjo, mas a língua tão afiada quanto Lúcifer —, a vida de Clary nunca mais será a mesma. Mesmo.

Eu mesma não me interessei pelo livro, então pedi a uma amiga que me disse o que achou do título e estas foram as palavras dela: 
"Uma história intrigante, que prende a atenção dos leitores mais ambiciosos e prontos para qualquer tipo de novidade. Uma ótima leitura a quem gosta de muita fantasia e suspense. Talvez um pouco reprovador os olhos daqueles que acham que as regras devem ser seguidas a risca, tanto na vida como no amor.
Como todo best-seller norte americano, Cassandra Clare surpreende a cada capítulo, instigando o leitor a querer sempre mais de seus livros.
Cada palavra lhe puxa ao universo de Clarrisa, onde se vive literalmente as aventuras como se você fosse um personagem, as vezes, quem sabe para os mais imaginativos, trazendo algumas situações ao mundo real e se identificando nas relações pessoais das personagens. Com certeza a autora sabe como chamar a atenção para seus romances."

Espero que tenham gostado e leiam! 

Boa leitura! o/ 

Créditos da Resenha para Nathâne Jurowitz. (=33)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Livros - Brotherband, Vol1: Os Exilados

Cá estou, depois de muito tempo! kkk
Bem, vim falar sobre o primeiro livro da série Brotherband: Os Exilados. Ele foi escrito por John Flanagan, autor de Rangers - Ordem dos Arqueiros e, como eu esperava, o autor voltou a fazer valer sua fama!

Sinopse:
O pequeno e franzino Hal nunca conheceu o pai, um dos maiores guerreiros que defenderam o reino de Escândia. Bem diferente dele, Hal em nada se parecia com um forte e bravo lutador, características valorizadas por seus conterrâneos, tradicionalmente valentes e homens do mar. Isso e mais o fato de ele ser filho de uma escrava vinda de Araluen o tornava um estrangeiro em seu país.
Mesmo sentindo-se exilado entre seu povo, havia algo que aproximava Hal dos outros garotos: o Brotherband, ou "irmãos de armas" - um conjunto de treinamentos que simulava as atividades da tripulação de um barco, com equipes que competiam entre si em testes de resistência e força e aprendiam as habilidades necessárias para se tornarem guerreiros invencíveis.
Rejeitado pelos líderes dos demais grupos, Hal junta-se a seu grande amigo Stig e a outros renegados e forma o próprio time. Mas um fato inesperado vai mudar o destino dessa equipe incomum e levá-la a navegar por mares perigosos, rumo a aventuras incríveis e batalhas ferozes.

O que eu achei do livro? Simplesmente incrível! Ele tem tudo que uma aventura tem que ter e muito mais. Os personagens são bem marcados por suas próprias características e, com isso, se tornam muito marcantes. O enredo te prende do começo ao fim e, pelo menos eu, achei a história muito divertida. O que a deixa ainda mais real é o fato de serem usados termos náuticos no meio de toda a narração.
Com um personagem principal pequeno e "fraco" fisicamente, que é a marca do autor, somos levados por caminhos improváveis e acabamos por gostar dos "perdedores".
Então, para quem gosta de aventura e emoção, esse livro é a chave para horas de pura diversão e entretenimento!

Boa leitura! =3

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mudam-se os tempos - Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

             

sexta-feira, 21 de março de 2014

Livros - As Traumáticas Aventuras do Filho do Freud

Faz tempo que não falo sobre livros e não é para menos, afinal, estou estudando muito para passar no vestibular. Sendo assim, não sobra muito tempo para a leitura.
Entretanto, esse título eu não pude deixar passar. Não é bem um livro, é uma coleção de tirinhas feitas por Pacha Urbano. Eu estava doida para ler esse desde o ano passado e quando ganhei de aniversário, não pude deixar para depois.
As Traumáticas Aventuras do Filho do Freud fala sobre a interação de Jean-Martin, primogênito do doutor, com o resto da família, principalmente com o pai. Essa interação é descrita de um jeito cômico/humorístico (com um humor mais ou menos negro, dependendo do seu ponto de vista) e de simples compreensão.
Para quem gosta e curti tirinhas, é mais que recomendado!
(todos os crédito e autorias, da tirinha, a Pacha Urbando)
Visitem a página no face: https://www.facebook.com/FilhoDoFreud?fref=ts 

Dia da Poesia - Fernando Pessoa

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."